Mais um pouquinho da saga =D

Oi… ñ posso me estender aqui… lá vai mais um pouco da minha insanidade!

V

Natália emergiu a cabeça da água morna. Escorou a nuca na borda da tina de madeira e fechou os olhos, suspirando. Com certeza aquele estava sendo o dia mais absurdo de sua vida: primeiro fora teletransportada para um lugar onde existiam orcs que andavam de carroça, depois tinha ficado frente a frente com um dragão, e agora estava mergulhada numa tina enquanto, lá embaixo, os aldeões preparavam uma festa em homenagem a ela e seus amigos. Balançou a cabeça, realmente não estava entendendo nada.
Voltou a pensar no dragão. Aqueles olhos amarelados investigando, analisando cada milímetro dela… Sentiu um arrepio na nuca. Atribuiu o fato ao friozinho da tarde, enquanto saía do banho e ia em direção ao vestido deixado em cima da cama por uma senhora sorridente. Era lindo, apesar de ter ficado no meio da canela. O vestido era verde escuro, combinava com a pele alva e com os olhos também verdes. Quando terminou de se vestir bateram na porta, perguntando se ela já tinha se arrumado. “Claro, pode entrar!” A senhora sorridente entrou acompanhada de duas moças sorridentes. “Oh, menina, o vestido ficou curto em você… Mas está lindo, serviu perfeitamente, adorável! Minhas filhas vão dar um jeito no seu cabelo, e eu vou procurar um calçado para você.”
– “Não precisa, senhora! Uso o meu, sem problemas! Só preciso de uma tesoura”, disse Natália fazendo caretas de dor enquanto as duas jovens puxavam seu cabelo. Quando a senhora voltou com a tesoura o penteado estava pronto. “A tesoura, querida. Oh, minhas filhas são incríveis, fizeram você se parecer com uma rainha!” A garota pegou a tesoura e murmurou um “obrigada” sem graça. Agradeceu aos céus quando os amigos chegaram ao quarto, pois a senhora e as moças os deixaram a sós.
– “Nossa, nunca te vi tão arrumada. Ficou diferente…”, disse Guilherme, sendo interrompido na hora por um olhar assassino. “Tudo culpa tua! Não tinha nada que ficar se achando o herói! Ainda não engoli a mentira que tu largou lá na praça!”, disparou Natália, enfiando a tesoura no vestido.
– “Em Roma, haja como os romanos, cara amiga. Se eu vim parar no lugar dos meus sonhos, vou agir como sempre sonhei!”
– “Como um paladino mentiroso? Um tantinho contraditório, não acha?”, explodiu a garota, jogando meio metro de tecido verde no amigo. Tinha deixado o vestido um tanto curto, no meio da coxa. Sentou na cama, puxou o All Star de cano alto e começou a calçar. “Podíamos estar mortos agora, sabe o que é isso?”
– “E não era o que tu vinha desejando? Escondendo da gente que tu ia embora, masoquista idiota! Acha que não percebemos nada, que teu estado letárgico não denunciava nada? Ninguém aqui é burro, Natália! Mas se tu gosta de bancar a mártir, espero que aproveite tua decepção por não ter morrido hoje!”
Ela terminou de amarrar o tênis e olhou para o amigo lívido de raiva. “Que se dane, também! Falando desse jeito tu faz com que eu pareça a pessoa mais egoísta do universo!” Olhou para os quatro rapazes parados na frente dela com olhares que misturavam raiva e preocupação. Isso fez com que ela se sentisse muito mal. Tinha preocupado os amigos com seu silêncio, os afastado intencionalmente desde o dia que ficou sabendo que ia embora. Não podia suportar a idéia de ficar sem eles, não queria que eles ficassem mal depois que se fosse. Se afastou porque pensou que assim todos suportariam melhor. Realmente, tinha sido muito egoísta e magoado os amigos. “Não resta nada a dizer, só ‘desculpa’, né… Eu fui egoísta, mas porque não queria que ficassem mal!”
– “Não dá pra lutar contra o desconhecido, Natália. Não tinha como a gente te ajudar sem saber o problema, e acredite, queríamos muito te ajudar. A gente não suportava mais te ver tão ausente.”
– “O Rafael tá certo. Acho que dessa vez passa. Mas da próxima vez que tiver problemas, divida conosco, certo!”, sorriu William. “Agora, vamos descer, afinal a festa é pra gente!”

VI

Os cinco amigos desceram a escada meio sem jeito com as ovações. Bem, nem todos estavam sem jeito… Guilherme acenava para a multidão de maneira solene, penando para conter o sorriso de satisfação. “Bom, acho que agora que ele adotou essa personagem não há nada que se possa fazer a respeito”, suspirou Natália. Optaram por ocupar uma mesa mais afastada, e à medida que os aldeões foram acabando com a cerveja o motivo da comemoração foi sendo esquecido e os “vivas” foram se extinguindo.
A festa continuou animada, com pessoas a dançar em cima das mesas e músicos exaustos, suando para manter o ritmo. Fartos de comida, os amigos se divertiam assistindo tudo de longe, quando Natália sentiu um arrepio e olhou na direção da porta que havia sido aberta. Um homem de mais ou menos 1,95m de altura, longos cabelos ruivos, trajando uma linda roupa de festa vermelha com vários detalhes dourados, adentrou o salão. A garota não conseguiu tirar os olhos dele, até perceber que o homem também estava olhando fixamente para ela. Ninguém parecia haver notado a presença dele, mesmo enquanto ele andava pelo salão até a mesa dos jovens. Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da moça, fixando os olhos nela. Olhos amarelos.
– “Então, pode me contar seu segredo?”
Por um momento Natália achou que não conseguiria responder. Aqueles olhos a hipnotizaram, a voz reverberou acima da música alta, grave e poderosa. Sacudiu a cabeça, tentando organizar as ideias.
– “Bom, err… Segredo, que segredo?”, disse meio hesitante. “Droga, levo tanto tempo pra falar e quando consigo pareço uma idiota, perfeito!”, censurou a si mesma em pensamento. O homem pareceu perceber isso e gargalhou sonoramente.
– “Ora, vamos… Eu sei que vocês não são daqui. Posso até arriscar o palpite de que nem desse plano vocês são…”
– “Acho, senhor, que você está entrando em um assunto delicado demais para ser tratado em uma festa”, interrompe Guilherme.
Só agora o homem misterioso parece notar os rapazes. Os analisa por alguns segundos e diz: “Bem, eu apenas quero saber o segredo daqueles que ‘me expulsaram’ hoje cedo. Parece-me justo, não?”, ele termina a frase lançando um sorriso muito persuasivo para a garota, que abaixa a cabeça para esconder a face corada. “Espera, ele disse ME expulsaram? Brincadeira, só pode!”, pensou Natália, olhando para os amigos. Pelo jeito eles entenderam mais rápido as palavras do ruivo, pois estavam com olhos arregalados e boquiabertos.
– “O senhor está insinuando que era o dragão de hoje cedo?”
– “Não… Estou afirmando. Apresentações feitas, não querem perguntar por que eu poupei vocês?”
– “Senhor, nós não nos apresentamos. Com certeza você deve ter um nome, não podemos chamá-lo de dragão o tempo todo! Meu nome é Guilherme, estes são Rafael, Diego, William e Natália, prazer em conhecê-lo oficialmente.”
“Como ele pode conversar tão naturalmente com um dragão? Um dragão! Mas, wow, que dragão… o cara é tão lindo que não consigo olhar para ele sem ficar vermelha, maldita timidez! E por que ele fica me olhando desse jeito? Acho que não deveria ter cortado o vestido tão curto…” A voz do ruivo fez com que a jovem esquecesse o que estava pensando.
– “Pode me chamar de Draco”, diz o homem, de maneira divertida.
– “E não é a mesma coisa que chamar de dragão?”, pergunta Diego, indignado.
– “E o que eu sou? Logo verão que aqui nomes são apenas para lendas, criaturas normais são tratadas pelo nome da raça, ofício ou alguma característica marcante de aparência ou personalidade. Sou um simples dragão cujos progenitores não tiveram muita criatividade. E vocês são forasteiros. Simples assim!”, comenta como se colocasse um ponto final na questão. Pegou uma caneca de cerveja da bandeja carregada por uma jovem sorridente e rechonchuda. Tomou tudo de um gole só, suspirou, e encarou os cinco amigos:
– “Bem, vamos aos negócios!”

Itte kimasu o//

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