Lembranças

Olá, pessoas o/
Continuando a saga Despertar… Desculpem pela demora, mas a maioria sabe que os últimos dias foram corridos pra mim. E pra quem não sabe, bem, eu me mudei no Carnaval, logo, estava sem tempo e sem muito ânimo para escrever, e eu não queria postar qualquer coisa aqui. Bem, espero que gostem…

Durante algumas noites ela ficou no coven, mesmo que não gostasse tinha que admitir que era mais seguro. Conheceu vampiros com um décimo de sua idade, que a consideravam algo exótico, digno de admiração. Algumas noites após sua chegada, banhou-se e encontrou um vestido longo, presente de seu anfitrião. Por um momento pensou em recusar, mas por fim cedeu e provou a peça, que parecia ter sido feita para suas medidas. Um veludo azul escuro, que combinava com seus olhos, acentuava suas curvas, destacava seu cabelo. “Acho que aquele infeliz já tem esse vestido há muito tempo, só esperava o momento certo para me presentear.”
Odiava o modo como ele sabia exatamente o que ela ia fazer, odiava o modo como ele deixava a mente aberta para que ela pudesse ler tudo o que ele pensava e sentia. Por muito tempo ela repudiou todas aquelas demonstrações de afeto. Mas antes, muito antes, as coisas já tinham sido diferentes. Logo que se conheceram os dois passaram muito tempo juntos, e planejavam passar a eternidade do mesmo jeito. Mas quando se é um imortal, não existe “até que a morte os separe”, e logo a convivência se torna tensa.
Muito da personalidade que se tem em vida é perpetuada na transformação, e assim como o corpo, dificilmente muda. Por um tempo ficar com ele tinha sido divertido, e ela chegou a pensar que realmente o amava. Porém, à medida que as noites passavam ela pensava em conseguir novas fontes de prazer, e como nunca ninguém conseguira prender seu espírito livre, saía e ficava fora por dias seguidos, sem dar notícias. Nas primeiras vezes ele a recebera de braços abertos, mas acabou cansando do jeito frio com o qual ela lhe tratava e se foi. Não antes de tentar mais uma vez, e depois mais outra; ficava repetindo que ele tinha a eternidade toda para esperar que ela mudasse. Mas isso não aconteceu. E então ele partiu. Quando ela chegou, ele não estava mais na casa que partilhavam. A casa ficava na zona rural, distante o suficiente para que ninguém reparasse que ficava fechada o dia todo. No princípio não deu importância, mas logo não suportava mais ficar sozinha naquela casa, e suas aventuras perderam a graça. Não havia mais para quem voltar, não havia mais quem se preocupasse com ela.
Sorriu levemente pensando nisso, e se distraiu tanto que não percebeu que havia alguém a invadir suas lembranças. Tarde demais, quando se virou lá estava ele, escorado na porta, com o semblante carregado, impossível de ser decifrado. Ela logo assumiu sua costumeira postura de quem não está dando a mínima para nada. Mas esse teatro não ia funcionar, não agora, não depois de ele ter visto tudo aquilo na mente dela.
“Eu não me importaria de tentar novamente. Eu já pedi desculpas por ter te deixado sem nenhuma explicação? Pois se não, estou pedindo agora, e se já, peço novamente. Por favor, reconsidere todos os pedidos que já fiz para que você voltasse. Eu juro que nunca mais vou tentar te prender, vou me esforçar para entender seu jeito distante… Mas, por favor, não me prive da convivência com você!”
Morder o lábio inferior era o primeiro sinal de que ela havia sido afetada. Não adiantava tentar esconder, desviou o olhar, mas era inútil. Por que ele tinha de ler tão bem todas as suas expressões?
“Não. Eu detesto quando você toma todas as culpas. Sabemos muito bem que a grande culpada sou eu. Eu quebrei o sentimento que havia entre nós, e se continuássemos juntos só nos machucaríamos nos cacos do que um dia foi tão sincero e belo. Cansei de ferir todos que se importam comigo.”
Ele não parecia ouvir nada do que ela dizia, apenas foi se aproximando até que não havia mais nada entre eles além de dois centímetros. A noite mal começara, e ali estava ele, com seus grandes olhos cinzentos, herança de sua ascendência escandinava. “Jeg elsker deg, min kjære”. Algo muito mais forte do que tudo que sentira nos passageiros momentos de prazer, mais forte do que qualquer coisa que lembrava ter sentido, acendeu dentro dela. Era como se nada tivesse acontecido, nada tivesse mudado, e eles ainda estivessem nos primeiros anos juntos na casa de campo, sussurrando palavras doces deitados na margem do lago. Aquela sensação a pegou de surpresa e ela se viu ceder, suas defesas de tempos remotos se quebrando, e todo o desejo vindo à tona de uma só vez.
Incontrolável, incomensurável; se abraçaram em um turbilhão de lembranças e sentimentos, com tanta força que parecia estarem tentando se tornar um só, e talvez esse fosse realmente o desejo dos dois naquele momento. Após os primeiros instantes de desesperado reencontro, colocaram suas cabeças em ordem e se afastaram lentamente, olhos nos olhos. Lutaram contra a tentação de se enlaçarem novamente, até que ela o pegou pela mão e foram para a sala comunal. Por uma noite conviveram pacificamente, conversaram, socializaram com os outros vampiros. Até que a manhã se aproximou e os dois se recolheram, cada um em um aposento.
Na outra noite ele foi procura-la, entrou sorridente no quarto e encontrou apenas um bilhete: “Saudades de Paris”.
“No fim das contas, você nunca muda…

 

Beijos! Itte kimasu o/

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Kate
    mar 21, 2011 @ 15:44:02

    Responder

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