Oportunidade perdida

Eu costumo dizer que não me arrependo das coisas que eu faço. Mas, em compensação, me arrependo até o último fio de cabelo pelas coisas que deixo de fazer.

Eu perdi a melhor oportunidade em séculos. Estávamos lá, enlaçados, sob a luz da lua e o friozinho das noites de outono. Sintonia. Todo o universo conspirava por nós, transpirava por nós. E eu me afastei. Evitei os seus olhos. Entrei em casa e me escorei na parede, suspirei profundamente.

“Burra! Burra! Burra! Mil vezes burra!”

Deitei e minha consciência continuava a bradar impropérios. Tive que admitir pra mim mesma que havia errado. Bom, uma parte de mim acredita que eu cometi um erro esdrúxulo, mas outra parte insiste em acreditar que eu fiz bem.

Por que diabos eu me afastei de você naquela hora? Fraqueza? Medo? Eu não sei. Uma parte de mim ficou esperando por você. Outra parte, a que venceu, pensou ser melhor evitar, pelo menos por enquanto, que isso acontecesse. Eu não queria que o clima ficasse tenso entre nós. Talvez não ficasse. Talvez até nos tornássemos ainda mais amigos. Mas o talvez perdurará. Até a próxima oportunidade. Ou mesmo para sempre.

Pode ser que você encontre alguém. E eu vou ficar na torcida para que sejas muito feliz. Sem mim… Torcendo por você como eu faço por muitos outros que já passaram por esse coração. Alguns já meio perdidos nas brumas do tempo, mas presentes o suficiente pra lembrar a sensação de perder quem você acreditava que te faria feliz.

Não sei se as coisas vão continuar como estão. Pode ser que eu mesma encontre outra pessoa. Pode ser que o sentimento mude e eu simplesmente sinta um carinho imenso, e só. Sem preocupações, acredite, não vou deixar de lembrar de você. Por diversas razões eu sei que muitos sorrisos surgirão quando eu pensar no teu nome.

É, eu acho que realmente gosto desses sentimentos platônicos, velados, cultivados no silêncio da minha solidão, que vão crescendo até não caberem mais em mim. Até a hora em que eu tenho que deixar minha cria voar. E lá se vai mais um amor platônico, como se fosse um filho, solto no mundo, mas ainda querido, lembrado e amado.

Já comecei a divagar, é a deixa para me despedir. Com a sensação de que eu falei, falei, mas não disse nada. Nunca disse que o que eu escrevo precisa ter um sentido. Nisso meus escritos se parecem muito comigo…

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Bier
    maio 02, 2011 @ 19:21:10

    Isso sempre acontece, Carol. Esperamos que seja o último caso, mas raramente acertamos.
    Não é estranho a gente fazer (ou deixar de fazer) alguma coisa e só pensar no motivo depois que a oportunidade passou. Isso sim, dói!
    Dói porque ficamos pensando nas possibilidades que não se confirmarão mais e que jamais saberemos com certeza o que aconteceria.
    “Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer.” (Los Hermanos – O vento)
    Ainda bem que a vida continua. ^^

    Responder

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