I don’t believe in fairy tales

Como se fosse realmente um conto de fadas.

Isso não é um conto de fadas.

Um sorriso toma forma nos lábios dela.

Minhas concepções são tão diferentes das suas.

Não há contos de fadas. Não há princesas em castelos.

Há pessoas tomando seus caminhos, deixando outras para trás, pessoas que vivem anos juntas e não se conhecem. Há desconfiança, solidão e medo. Há vazio. Mas não há fadas. Não há unicórnios. Não há magia. Há lágrimas, conformismo e repetições automáticas (in)conscientes de padrões sem humanidade.

É como se estivesse fora do corpo, fora do mundo, em um plano diferente, observando. Consternado, o anjo se limita a observar, sem nada poder fazer. Mas o anjo sente realmente? O que ele sente? Ele sente? Duvida da própria capacidade de sentir? Ou apenas observa?

O que aconteceu com a felicidade? Existe realmente felicidade? Ou estamos todos fadados à melancolia e a felicidade é o ópio, prazer momentâneo, uma mentira?

Queria pensar em você como o anjo que observa. Mas qual a função dele? E será que todas as coisas têm realmente uma função? Eu tenho uma função no mundo? E se tenho, qual seria?

E o anjo observa, de um plano superior. E penso nele, no que ele sente, se ele sente. E subitamente me pergunto se ele realmente existe, ou se é apenas uma alegoria para a minha tristeza.

Eu nem sei por que me sinto assim 
Vem de repente, um anjo triste perto de mim Image

Shake it out

Aquela sensação de que escreveram a música pra você.

A preguiça me impede de traduzir: http://letras.terra.com.br/florence-and-the-machine/1964380/traducao.html

Vídeo

Sinestesia

Vasculhando os gigas de música que tenho nesse hd, dou de cara com o Born this way. Dois cliques. Hm… Heavy Metal Lover. Dois cliques.

Imbecilidade. Ou masoquismo, tanto faz. 

Típico da minha pessoa. Eu lembro, como se fosse hoje, como se eu ainda estivesse de pé na porta do quarto dele, tirando o casaco, enquanto me segurava para não me retorcer de frio na barriga. Tentando não sorrir como uma idiota. “Esse é o cd novo da Gaga”. Sentei na cama dele e fiquei torcendo as mãos. Eu estava nervosa. Porque tinha tomado uma decisão, tinha mentalizado, planejado toda a noite. Coisa de leonino. Coisa de leonino também é se frustrar quando as pessoas não seguem o roteiro. Um roteiro que elas nem imaginam existir. Deixei o casaco na casa dele e fomos pra festa. Até hoje não voltei naquela boate. E toda vez que passo lá na frente mordo o lábio inferior. Lembranças chatas. Nada saiu como eu planejei. Voltamos cedo pra casa, ele me entregou o casaco e praticamente me expulsou de lá. Minha amiga e eu voltamos pra casa de mãos dadas e no meio do caminho eu caí no choro. Rejeição. É complicado lidar com ela. Ele deve ter tido seus motivos.

E hoje, enquanto ouço essa música, eu fecho os olhos e sinto o cheiro do perfume dele. E lembro do dia em que, meses depois da sua partida, eu estava a pensar que já tinha superado tudo, e um rapaz usando o mesmo perfume passou por mim. Não sei como meus olhos se encheram de lágrimas, meu coração disparou, minhas pernas amoleceram, tudo junto e eu tive de parar para assimilar. Me pergunto se depois de quase um ano eu realmente tenha assimilado e aceitado tudo que aconteceu.

I could be your girl girl girl girl girl girl
But would you love me if I ruled the world world world?
 
Só me resta rir de mim mesma.

there’s no moon

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Fighting! Fighting. fighting… but today, just let me stay on bed, pretending everything’s ok.

Imagem

I’ve finally opened my eyes

Hoje, por motivos aleatórios, lembrei de algo que me deixou pensativa.

Eu nunca fui uma criança magra. Mas não é a questão. Quando eu tinha meus cinco anos, minha mãe me ensinou a rezar. E eu rezava todas as noites. Primeiro o pai nosso, depois algo que eu quisesse acrescentar. E hoje eu lembrei das vezes em que, no silêncio do meu quarto e na inocência dos meus cinco anos, pedia com todo o fervor do meu coração pra ter 30 quilos. Queria ser mais magra e pedia isso encarecidamente todos os dias. Bom, preciso de um desconto, afinal eu tinha cinco anos. Parei pra pensar com certa consternação a respeito. Tipo, quais eram os motivos que me levavam a isso? Acho que eu só queria ser normal. Ou melhor, só queria ser como todas as outras crianças. E, pra piorar a situação, eu sempre fui a mais alta. Mesmo sendo dois anos mais nova que a turma, era sempre a maior, em todos os sentidos espaciais. Deve ser por isso que quando dizem “Ai, mas tu não é gorda, tu é grande” eu fico com tanto ódio. Bem, como toda a garota, eu queria ser bailarina. E um dia minha bisavó foi ensinar pliês para minha prima e eu. Mas logo constatou que eu não servia pra coisa: “Você não tem delicadeza o suficiente”. E minha prima, com sua perfeição de cabelos loiros e olhos azuis, sorria enquanto fazia os exercícios com desenvoltura. Acho que desde cedo eu aprendi a esconder minha decepção. Aprendi a respirar fundo e sorrir, engolindo as coisas que me diziam. Mesmo que fosse verdade, né. Existem maneiras mais sutis de se falar as coisas.

E o tempo passou e eu cheguei na maldita adolescência. Continuei sendo a mais alta e a mais gorda de todas as turmas do ensino médio. E com os meus 13 anos eu me olhava no espelho e só sentia nojo. Nojo de não ser como todo mundo. E depois tentando ser o mais diferente possível. Ah, as contradições juvenis. Então eu descoloria meu All Star, cortava minhas calças, descobri o lápis de olho preto, o rock e depois o heavy metal. E com o passar do tempo descobri o doom metal e as vertentes depressivas do black. E cada vez mais eu me odiava. Auto-mutilação e tentativas de suicídio. Vivia escrevendo coisas tensas. A verdade é que nunca me aceitei. E mesmo tentando ser diferente, no íntimo do meu ser, eu só queria ser como o que as pessoas consideram bonito. Pode parecer que não, mas eu sou uma pessoa fechada: o que realmente me chateia nunca é posto pra fora. Tenho uma dificuldade enorme de expor meus sentimentos. Vai saber o por quê, mas é assim. Então, sendo as coisas como são, nunca consegui falar pra minha mãe ou pra qualquer amigo o que eu realmente sentia. Mas chegou um dia que eu não aguentei mais e surtei, chorando horas a fio, até ir no médico e suplicar por antidepressivos. Não sei se foi a melhor escolha. Fiquei, como já devo ter dito milhares de outras vezes, letárgica. E blá blá blá. Então ano passado eu perdi muito peso. Fiquei cadavérica. E ainda assim, continuava insatisfeita. Agora eu ganhei alguns quilos e comecei a ficar ainda mais paranoica. Mesmo que as pessoas digam que eu estou bem, ainda assim não consigo aceitar isso. Resolvi começar a trabalhar uma imagem mais positiva de mim mesma. Um dia um amigo meu me disse que a imagem que eu tinha construído de mim estava me cegando e me impedindo de ver os meus pontos positivos. Hoje eu dou razão a ele. Porque é impossível alguém não ter pelo menos um lado bom. Estou tentando encontrar alguns em mim. Acho que já é um grande avanço não me encarar com desprezo quando me olho no espelho. Até já consigo esboçar um sorriso 🙂 Sei que há dias em que todo meu esforço parece ser em vão, mas dessa vez eu não quero desistir. Não posso desistir. Ser abandonada não é nada legal, como posso fazer isso comigo? Não mereço ficar me martirizando e assumindo a culpa de tudo. Pedindo desculpas por ser quem eu sou. Onde já se viu tal coisa??? E é assim, degrau a degrau, que eu vou tentando aceitar e entender quem eu sou, tentando assimilar que eu não preciso agradar todo mundo e me colocar em último lugar sempre. E que eu sou, sim, uma mulher bonita e interessante^^ Eu gostaria de ter a oportunidade de falar com  quem se sente agora como eu me sentia, e fazer com que eles enxergassem as pessoas maravilhosas que são. Mas isso é um processo que começa de dentro pra fora.

Tell me that you’ll open your eyes
 Get up, get out, get away from these liars
´Cause they don’t get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we’ll walk from this dark room for the last time
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Recordar é viver

Revivendo os sentimentos de uma adolescência perturbada ao som de Type O Negative

Vídeo

Persona

Traga a minha máscara, hoje temos festa!

Acho tão lindo quando estou a passear pela internet e tenho a felicidade de encontrar coisas legais. Ser surpreendido positivamente hoje em dia está tão difícil que quando isso acontece meus olhos brilham de contentamento. Pois bem, há alguns bons dias, estava eu a catar letras traduzidas do Versailles e encontrei um blog MARA! Tão bom se ver no que os outros escrevem. A dona desse blog me descreve tão bem sem nem ao menos saber que eu existo… Não sei por qual motivo isso me fascina. Bem, sem mais delongas, indico o Serori ~~:

A máscara

Ela estava acostumada a ser a malvada. A culpa era sempre sua – de tudo e de nada. Pedia desculpas antecipadamente por ter a certeza de que, ao fim, as primeiras palavras que sairiam de seus lábios seriam exatamente essas: me desculpe.

Por hábito, talvez, tornou-se cada vez mais fácil vestir aquela máscara e tornar-se a Malvada, como era esperado que o fizesse. E quando mais uma vez seu coração se quebrava, perguntavam a ela o que havia feito de errado – o que ela havia feito de errado.

Mesmo que ela não houvesse feito absolutamente nada.

A máscara tornava-se mais pesada a cada dia. Seus olhos gritavam, mas de sua garganta não mais saíam os seus pensamentos. Eles se fechavam sobre si mesmos transformando-se em labirintos, caracóis, porcos-espinhos. Ai de quem tentasse tocá-los.

Por muito tempo ela pensou que sua máscara fosse a de um palhaço – aquele que faz os outros rirem para esconder sua sempre presente tristeza. Percebeu por fim que, na verdade, a máscara que a cobria era a de um carrasco.

Que seja, façamos nosso trabalho, então.

Tão eu.

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