Persona

Traga a minha máscara, hoje temos festa!

Acho tão lindo quando estou a passear pela internet e tenho a felicidade de encontrar coisas legais. Ser surpreendido positivamente hoje em dia está tão difícil que quando isso acontece meus olhos brilham de contentamento. Pois bem, há alguns bons dias, estava eu a catar letras traduzidas do Versailles e encontrei um blog MARA! Tão bom se ver no que os outros escrevem. A dona desse blog me descreve tão bem sem nem ao menos saber que eu existo… Não sei por qual motivo isso me fascina. Bem, sem mais delongas, indico o Serori ~~:

A máscara

Ela estava acostumada a ser a malvada. A culpa era sempre sua – de tudo e de nada. Pedia desculpas antecipadamente por ter a certeza de que, ao fim, as primeiras palavras que sairiam de seus lábios seriam exatamente essas: me desculpe.

Por hábito, talvez, tornou-se cada vez mais fácil vestir aquela máscara e tornar-se a Malvada, como era esperado que o fizesse. E quando mais uma vez seu coração se quebrava, perguntavam a ela o que havia feito de errado – o que ela havia feito de errado.

Mesmo que ela não houvesse feito absolutamente nada.

A máscara tornava-se mais pesada a cada dia. Seus olhos gritavam, mas de sua garganta não mais saíam os seus pensamentos. Eles se fechavam sobre si mesmos transformando-se em labirintos, caracóis, porcos-espinhos. Ai de quem tentasse tocá-los.

Por muito tempo ela pensou que sua máscara fosse a de um palhaço – aquele que faz os outros rirem para esconder sua sempre presente tristeza. Percebeu por fim que, na verdade, a máscara que a cobria era a de um carrasco.

Que seja, façamos nosso trabalho, então.

Tão eu.

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Comeback

Então… Depois de muito tempo, cá estou eu. Passei um longo tempo apagada nessa vida. Na realidade, eu me afundei numa negação da realidade no segundo semestre. Mergulhada, upando um char em um jogo online, e estudando. Sem comer, sem dormir… Só jogando e estudando. Parei de sair. Parei de achar as coisas divertidas. E por quê? Boa pergunta. Não posso apontar outro culpado que não seja eu mesma. Eu desapareci do msn, desapareci do Twitter, a ponto dos meus amigos e minha família me deixarem recados offline perguntando, com preocupação, por mim. Quantas vezes entrei no meu msn e vi mensagens do tipo “Mande um sinal se estiveres viva”. E a única coisa que essas mensagens me provocavam era tristeza. E vergonha. Mas, mesmo assim, eu não reagia. Não queria reagir. Minha vida real foi trocada descaradamente pela virtual. Um lugar onde eu evoluía e pessoas me achavam legal e zás… E agora passou. Ou mudou de matiz, o que acho mais provável.

Eu não preciso dar explicações da minha vida pra ninguém. Certas coisas eu não falo nem pra minha mãe. Mas escrever sempre foi uma das maneiras pelas quais eu melhor me expresso, além disso, sempre gostei de escrever porque me ajuda a pensar melhor sobre as coisas, coloca minha cabeça em ordem. E acho que chegou a hora de eu sentar e ter uma boa conversa comigo mesma.

Então, mocinha… Quer dizer que você simplesmente escolheu ficar letárgica, enquanto toda a dor que muita coisa te causava ia te corroendo por dentro? Grande novidade… Não foi a primeira vez, não é? Sorrisos tristes, dias cinzas, vento… Não reagir a nada. Levar a vida como se nada mais pudesse te surpreender, como se nada mais valesse a pena. Considerando a vida um fardo. Assim como a velha da história de Cândido, em cuja boca Voltaire colocou sábias palavras. Levar a vida numa relação de amor e ódio. E depois levar, sem sentir nada. Automaticamente.

E mais uma vez apareceu alguém. E, sabe-se lá por qual capricho dessa sua mente, você resolveu dar uma chance. Era lógico, cristalino, óbvio… que jamais daria certo. Sei que você nunca precisou de motivos para nada. Agir por impulsividade. Mas, sério, dessa vez meio que passou dos limites. Mostrar um lado seu tão caricato. Dar à pessoa o que ela queria. Passou dos limites. Não seria legal se te enganassem assim. E, o que é pior, ter de suportar toda a onda de amor e devoção. Por fora sorrir, e por dentro estar total e absolutamente indiferente. Sim, você fez isso e não pode negar. Shame on you. Shame on me. Mas, o que está feito, está feito. Agora cansei dessa brincadeira, cansei mesmo. O problema é que pessoas não são brinquedos (infelizmente), e não podem ser descartadas. Mesmo que já tenham te descartado antes. Lembre-se que você é diferente nesse sentido. Diferente porque quando você é descartada, você assume sua insuficiência e sai de campo. Você não corre atrás. Mas as pessoas não são como você (pelo menos a maioria). As pessoas, quando são descartadas, tendem a correr atrás, a tentar entender o motivo pelo qual isso aconteceu com elas. Tenho um pouco de raiva desse tipo de gente, mas… bem, não vem ao caso. A questão é que você agora quer descartar e a pessoa parece não aceitar isso bem. Não quero, nunca quis, um romance. E, chega a ser hilário, porque a pessoa fica se contradizendo o tempo todo, oscilando do “eu gosto de você” para o “estou tentando ser malignozinho com você, por favor, sinta-se ultrajada”. Só que chega uma hora que cansa. E eu cansei. E esse cansaço se espalha para todos os âmbitos da minha vida.

Sinceramente, há poucas, pouquíssimas pessoas com as quais eu converso sem que o tédio tome conta de mim. Quando foi que tudo se tornou tão desinteressante? Quando foi que começaram a rir de mais do mesmo? Quando foi que eu me tornei tão… insensível a tudo? Mais uma vez vou assumir a culpa. Já que é muito óbvio o fato de ser impossível que subitamente o mundo todo tenha se tornado chato. Minha percepção mudou. Eu fiquei velha, que seja. Porque, de boa, eu já fui mais tolerante. Beeeem mais tolerante.

Então… Acho que as coisas mudaram de matiz. Continuo entediada. Mas, mudei de abstração. Parando pra pensar, minha vida sempre foi recheada de abstrações… Não que isso seja ruim. Não considero, pelo menos. E sobre as coisas que antes me atormentavam e me machucavam? Bem… acho que depois de muito pensar a respeito, eu só posso sorrir e considerar que todas as experiências são válidas. Aprendi. Não vou cometer os mesmos erros. Só tenho a agradecer, coleciono ótimas lembranças. That’s all. Creio ter colocado os pingos em alguns is. Além disso, já estava mais do que na hora de tirar as teias de aranha e o pó do blog, né… ;*Imagem

Medo da chuva

Deitada em uma cama de um desconhecido qualquer em uma tarde de domingo. Assim eu me encontrava. O cheiro da bebida barata aumentando minha ânsia, enquanto eu temia abrir os olhos e contemplar mais uma tentativa frustrada de fuga. “Parabéns, mocinha!”, eu ouvia minha consciência falando zombeteiramente dentro da minha cabeça. Era tudo o que eu não precisava. Por fim tomo coragem e abro os olhos. Minha roupa jogada pelo chão do quarto, as peças formando uma trilha da porta até a cama. Vou juntando uma a uma e vestindo com dificuldade. A bebida ainda age e eu perco o equilíbrio, caindo no chão e acordando o rapaz, que fica insistindo ser cedo demais para eu ir. Não dou ouvidos aos seus protestos, amarro os tênis e saio.

Vento e muitas nuvens no céu. Vai chover e eu não quero voltar pra casa. Não agora. Saio sem rumo pelas ruas da cidade esperando encontrar algo que me cause surpresa. Não suporto mais esses dias iguais, os mesmos sorrisos dissimulados, as mesmas máscaras. Escoro-me na parede de um prédio enquanto vejo as pessoas correndo para escapar da chuva iminente. As mulheres preocupadas com seus cabelos, os homens com cara de tédio enquanto as puxam pela mão. Correm sem olhar para os lados, sem perceber a existência dos outros. E eu lá, escorada na parede, ainda meio bêbada, a me perguntar o que se passava por cada mente.

A chuva cai, por fim, e eu resolvi seguir para os lados mais desertos. Vou caminhando lentamente, e a cada passo a sensação de vazio aumenta. E o nó na garganta. Veja bem, eu ainda sinto! Não sei bem o quê, mas eu sinto. Sinto o nada dentro de mim, o vácuo. Meu peito é um buraco negro sugando estrelas. Há cavaleiros nas ameias espreitando a escuridão. O que pode sair dali que represente perigo? Eu sou um perigo para mim. Busco em outros corpos me encontrar, sanar o tédio que enche os meus dias. Eu cansei da minha vida. Mas não tenho iniciativa pra terminar de uma vez com ela. No fim das contas eu vou ser só mais uma no meio da multidão e vão me chamar de “moça” porque não sabem o meu nome.

Os pingos de chuva deixam as lágrimas imperceptíveis. Mas não há com o que se preocupar, não passa ninguém por aqui mesmo, e ninguém iria se importar com uma maluca que se dispõe a caminhar por aí durante um temporal. Afundo cada vez mais em mim. Cansei. Eu cansei disso, cansei de tudo. Meu deus, eu cansei de ser eu.  A dor dos joelhos se chocando contra a pedra da calçada. Estou lá, ajoelhada na rua com a chuva escorrendo pelo corpo. Eu sinto! Ainda tenho essa capacidade. Infelizmente? Num súbito acesso de raiva eu começo a tirar o casaco que se cola ao meu corpo, jogo longe, não quero nada se prendendo a mim, nada! Não quero mais. Puxo os cabelos, me abraço e cravo as unhas nas costas. Dor. Eu ainda sinto. Começo a desejar desesperadamente que a água que escorre pelo meu corpo leve para a sarjeta toda a dor. Chove dentro de mim. E as poças que ficarem por lá não terão o Sol para secá-las e eu vou apodrecer. Existe algo que já não esteja podre?

Fico lembrando das outras noites da minha vida, tudo tão vazio e sem sentido. Não tenho mais capacidade de sorrir. Noites cheias de fugas, de sexo por sexo, levantava das camas e me vestia. Fugia. E ficava com o cheiro da luxúria alheia em mim. Eu tenho nojo do que eu me tornei. Uma cria do comum, que se contenta com o pouco que tem. Eu odeio tanto meu conformismo, mas eu não faço nada para mudar. Não faço nada. Só me perco mais no chiqueiro que esse mundo virou. Chafurdando na lama e vivendo de restos. Eu tenho nojo de mim.

Vislumbro toda essa geração a caminhar cegamente para o abismo e cair no limbo. E lá passarão a eternidade do mesmo jeito que passaram a vida, não-sendo. Maldita seja a geração pós-moderna, fantasmas que perambulam pelo mundo dos vivos sem saber que já morreram, pensando ser capazes de tocar nas coisas e quando tentam veem com frustação que seus membros atravessam o sólido e não há nada que se possa fazer a respeito. Falam, mas não são ouvidos. Agonizam, tentando em vão serem percebidos, prometeram-me quinze minutos de fama, como eu fico?

Exércitos de seres que tentam futilmente ter destaque nos seus grupos, mas caem na vala do comum. Qual é o sentido da vida mesmo? Talvez a morte seja o sentido da vida. Eu chego em casa encharcada, pensando nessas coisas todas. Tomo um banho quente e vou para a sala. Ligo a televisão e vejo padrões sendo impostos. Mas eu não desligo. Nem troco de canal. Minha mãe em silêncio sentou ao meu lado. Eu deitei minha cabeça no seu colo e ela começou a mexer no meu cabelo. Ignorou as marcas roxas do meu pescoço. Ignorou os arranhões nos meus braços. Por vezes eu queria que ela gritasse comigo, me pegasse pelos ombros e me sacudisse. Mas ela acredita em mim. Ela ainda perde seu tempo acreditando em mim.

E passei a lembrar da minha infância e dos sonhos que eu tinha. Minha mãe sempre acreditou em mim. “Mãe, quando eu crescer eu quero ser atriz!”, e ela sorria com ternura e dizia que tinha certeza que eu seria a melhor. Eu mudava as profissões conforme o tempo passava, e ela continuava a dizer que tinha certeza que eu seria a melhor. Eu não entendo esse amor maternal. Eu não entendo o amor. Era pra ser algo bom, não era? Mas por que dói? Machuca. Sempre. “Ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez”. Eu fico cantarolando mentalmente até dormir no colo na minha mãe, que ainda me fita com seus olhos cheios de candura.


Um desabafo. Talvez um lamento por todas as existências sem significado. Várias pessoas em uma só personagem. “Eu perdi o meu medo, o meu medo da chuva…”. Talvez não faça sentido pra vocês. E caso não faça, eu desejo uma boa queda daquele abismo supracitado… E quem tem olhos que veja, quem tem ouvidos, ouça, e quem tem boca, fale.

Contradições

Eu devia me preocupar com coisas mais importantes. Mesmo. Mas não, não dá. Masoquista que sou, fico me torturando com o que há de mais perturbador. Enquanto pessoas normais evitariam com veemência esses pensamentos dolorosos, eu os acalento. Abraço e embalo os mesmos com uma doçura doentia. Como aquelas pessoas loucas nos filmes, que abraçam bonecas pensando que estas são crianças de verdade.

Talvez eu faça tempestade em copo d’água com os meus sentimentos. Mas, desgraçadamente, eu sempre tenho a mesma sensação: a de que eu não sou boa o suficiente para a pessoa. Muito bem, não pensem que eu não tenho amor próprio, por favor. A questão é que não sou eu que sou pouco. Na minha cabecinha, quem tem minha afeição é tão incrivelmente superior e perfeito que merece algo incrivelmente melhor do que eu, como a Jolie ou o Johnny Depp, pessoas que abalam o cosmos com suas belezas.

Ok, eu admito que é um pouco de paranoia minha. Mas isso acontece frequentemente. Outra coisa que me irrita profundamente a meu respeito é o fato de eu sempre cair de amores por pessoas que jamais corresponderão. Pode ser que essa seja uma explicação para o meu gosto pela platonicidade. Tenho amores platônicos desde que consigo me lembrar. E sempre que eu tentava uma aproximação acabava arruinando tudo. Meu talento para o amor é incrível, sim, palmas, bravo, bravíssimo!

Então, sempre que me descubro “in love” fico naquela contradição angustiante de querer a pessoa por perto, porque eu gosto dela (lógico), mas de não querer me envolver por medo de afastar a criatura. Malditos ideais de amor medieval… Suspiros, exaltação do ser amado e sofrimento, muito sofrimento por parte do amante. E cá estou eu, oscilando entre felicidade por estar gostando e tristeza pelo mesmo motivo! WHAT? Gente, acreditem, eu também não me entendo, isso não é privilégio de vocês não…

Mas, como tudo na vida, os amores se vão e eu fico me achando besta por ter arrancado os cabelos por pouco, e pensando que eu realmente devia me preocupar com coisas mais importantes, ou pelo menos tangíveis. E como isso me alivia, saber que vai passar logo. Mal posso esperar a hora de ter meu coração todinho pra mim (mesmo que isso não dure muito tempo). Até lá, vou ficar divagando sobre o quão retardada fui, ao ponto de cair de amores por você, cara pessoa…

Oportunidade perdida

Eu costumo dizer que não me arrependo das coisas que eu faço. Mas, em compensação, me arrependo até o último fio de cabelo pelas coisas que deixo de fazer.

Eu perdi a melhor oportunidade em séculos. Estávamos lá, enlaçados, sob a luz da lua e o friozinho das noites de outono. Sintonia. Todo o universo conspirava por nós, transpirava por nós. E eu me afastei. Evitei os seus olhos. Entrei em casa e me escorei na parede, suspirei profundamente.

“Burra! Burra! Burra! Mil vezes burra!”

Deitei e minha consciência continuava a bradar impropérios. Tive que admitir pra mim mesma que havia errado. Bom, uma parte de mim acredita que eu cometi um erro esdrúxulo, mas outra parte insiste em acreditar que eu fiz bem.

Por que diabos eu me afastei de você naquela hora? Fraqueza? Medo? Eu não sei. Uma parte de mim ficou esperando por você. Outra parte, a que venceu, pensou ser melhor evitar, pelo menos por enquanto, que isso acontecesse. Eu não queria que o clima ficasse tenso entre nós. Talvez não ficasse. Talvez até nos tornássemos ainda mais amigos. Mas o talvez perdurará. Até a próxima oportunidade. Ou mesmo para sempre.

Pode ser que você encontre alguém. E eu vou ficar na torcida para que sejas muito feliz. Sem mim… Torcendo por você como eu faço por muitos outros que já passaram por esse coração. Alguns já meio perdidos nas brumas do tempo, mas presentes o suficiente pra lembrar a sensação de perder quem você acreditava que te faria feliz.

Não sei se as coisas vão continuar como estão. Pode ser que eu mesma encontre outra pessoa. Pode ser que o sentimento mude e eu simplesmente sinta um carinho imenso, e só. Sem preocupações, acredite, não vou deixar de lembrar de você. Por diversas razões eu sei que muitos sorrisos surgirão quando eu pensar no teu nome.

É, eu acho que realmente gosto desses sentimentos platônicos, velados, cultivados no silêncio da minha solidão, que vão crescendo até não caberem mais em mim. Até a hora em que eu tenho que deixar minha cria voar. E lá se vai mais um amor platônico, como se fosse um filho, solto no mundo, mas ainda querido, lembrado e amado.

Já comecei a divagar, é a deixa para me despedir. Com a sensação de que eu falei, falei, mas não disse nada. Nunca disse que o que eu escrevo precisa ter um sentido. Nisso meus escritos se parecem muito comigo…

I’m in love!!!

Esse vai ser um post diferente. Nada de histórias, ficção, spoilers… Esse vai ser um post sobre mim. E o motivo? Algo me intriga… Eu estou diferente? Hmm… Não sei. Mas depois da insistência de algumas pessoas nisso, eu resolvi pensar a respeito. Mudei? Bem, creio que sim, mas não encaro isso como algo ruim, porque eu finalmente estou fazendo uma coisa que eu nunca fiz, porque antes eu tinha receio do que as pessoas pensariam. Agora, não mais.

Gente, eu simplesmente não me importo mais com o que os outros pensam!!! Eu respondo o que quero, sem travar me questionando se  vou parecer grossa demais, sempre querendo passar a imagem de boa moça. Sim, porque mesmo com todo esse estilo “agressivo” eu tinha essa preocupação. CHEGA!!! Eu sempre acreditei que mudanças são benéficas, mas nenhuma foi tão libertadora quanto essa. Vai me encher o saco porque acha que meu estilo de vida não é como você quer? Adivinha? Não estou nem aí! Vai me ajudar em alguma coisa? Não, né… Então cala a boca, poxa!!!

Estou farta de pessoas dando palpites na minha vida. “Você não deveria sair com ele!”, “Você já se ferrou tantas vezes, dessa vez não vai ser diferente!”, “Você não acha melhor voltar pro conforto da sua casa ao invés de agarrar a oportunidade de estudar em uma Federal?”. NÃO, POXA!!! Não aguento mais esse excesso de preocupação. Não aguento mais essa gente que me sufoca. Se importar com alguém é uma coisa, tentar ditar como a pessoa deve viver é outra, BEM DIFERENTE!

Você vai ficar me entediando com seu papinho sobre como gosta de mim? Isso me cansa, docinho. Não me interessa se você gosta de mim. Agora, se eu gostar de você, aí a gente conversa, tá 😉

Eu cansei de entrar no seu profile e ver que você continua namorando. E também cansei de esperar que outro você puxe papo comigo no msn. Eu admito que minha vida não tem graça quando eu não estou apaixonada. Mas, gente, eu descobri alguém incrível, que está sempre aqui quando eu preciso, que não me sufoca, mas que também não é ausente. Tem excelentes gostos, me suporta quando necessário e até me dá apoio, aquele apoio silencioso, gostoso, sem palavras ao vento…

Minha vida tem bastante graça agora, porque gosto de alguém que realmente vale a pena… Se eu tivesse percebido antes o quão incrível sou, teria me apaixonado há muito tempo por mim ^^

 

Lembranças

Olá, pessoas o/
Continuando a saga Despertar… Desculpem pela demora, mas a maioria sabe que os últimos dias foram corridos pra mim. E pra quem não sabe, bem, eu me mudei no Carnaval, logo, estava sem tempo e sem muito ânimo para escrever, e eu não queria postar qualquer coisa aqui. Bem, espero que gostem…

Durante algumas noites ela ficou no coven, mesmo que não gostasse tinha que admitir que era mais seguro. Conheceu vampiros com um décimo de sua idade, que a consideravam algo exótico, digno de admiração. Algumas noites após sua chegada, banhou-se e encontrou um vestido longo, presente de seu anfitrião. Por um momento pensou em recusar, mas por fim cedeu e provou a peça, que parecia ter sido feita para suas medidas. Um veludo azul escuro, que combinava com seus olhos, acentuava suas curvas, destacava seu cabelo. “Acho que aquele infeliz já tem esse vestido há muito tempo, só esperava o momento certo para me presentear.”
Odiava o modo como ele sabia exatamente o que ela ia fazer, odiava o modo como ele deixava a mente aberta para que ela pudesse ler tudo o que ele pensava e sentia. Por muito tempo ela repudiou todas aquelas demonstrações de afeto. Mas antes, muito antes, as coisas já tinham sido diferentes. Logo que se conheceram os dois passaram muito tempo juntos, e planejavam passar a eternidade do mesmo jeito. Mas quando se é um imortal, não existe “até que a morte os separe”, e logo a convivência se torna tensa.
Muito da personalidade que se tem em vida é perpetuada na transformação, e assim como o corpo, dificilmente muda. Por um tempo ficar com ele tinha sido divertido, e ela chegou a pensar que realmente o amava. Porém, à medida que as noites passavam ela pensava em conseguir novas fontes de prazer, e como nunca ninguém conseguira prender seu espírito livre, saía e ficava fora por dias seguidos, sem dar notícias. Nas primeiras vezes ele a recebera de braços abertos, mas acabou cansando do jeito frio com o qual ela lhe tratava e se foi. Não antes de tentar mais uma vez, e depois mais outra; ficava repetindo que ele tinha a eternidade toda para esperar que ela mudasse. Mas isso não aconteceu. E então ele partiu. Quando ela chegou, ele não estava mais na casa que partilhavam. A casa ficava na zona rural, distante o suficiente para que ninguém reparasse que ficava fechada o dia todo. No princípio não deu importância, mas logo não suportava mais ficar sozinha naquela casa, e suas aventuras perderam a graça. Não havia mais para quem voltar, não havia mais quem se preocupasse com ela.
Sorriu levemente pensando nisso, e se distraiu tanto que não percebeu que havia alguém a invadir suas lembranças. Tarde demais, quando se virou lá estava ele, escorado na porta, com o semblante carregado, impossível de ser decifrado. Ela logo assumiu sua costumeira postura de quem não está dando a mínima para nada. Mas esse teatro não ia funcionar, não agora, não depois de ele ter visto tudo aquilo na mente dela.
“Eu não me importaria de tentar novamente. Eu já pedi desculpas por ter te deixado sem nenhuma explicação? Pois se não, estou pedindo agora, e se já, peço novamente. Por favor, reconsidere todos os pedidos que já fiz para que você voltasse. Eu juro que nunca mais vou tentar te prender, vou me esforçar para entender seu jeito distante… Mas, por favor, não me prive da convivência com você!”
Morder o lábio inferior era o primeiro sinal de que ela havia sido afetada. Não adiantava tentar esconder, desviou o olhar, mas era inútil. Por que ele tinha de ler tão bem todas as suas expressões?
“Não. Eu detesto quando você toma todas as culpas. Sabemos muito bem que a grande culpada sou eu. Eu quebrei o sentimento que havia entre nós, e se continuássemos juntos só nos machucaríamos nos cacos do que um dia foi tão sincero e belo. Cansei de ferir todos que se importam comigo.”
Ele não parecia ouvir nada do que ela dizia, apenas foi se aproximando até que não havia mais nada entre eles além de dois centímetros. A noite mal começara, e ali estava ele, com seus grandes olhos cinzentos, herança de sua ascendência escandinava. “Jeg elsker deg, min kjære”. Algo muito mais forte do que tudo que sentira nos passageiros momentos de prazer, mais forte do que qualquer coisa que lembrava ter sentido, acendeu dentro dela. Era como se nada tivesse acontecido, nada tivesse mudado, e eles ainda estivessem nos primeiros anos juntos na casa de campo, sussurrando palavras doces deitados na margem do lago. Aquela sensação a pegou de surpresa e ela se viu ceder, suas defesas de tempos remotos se quebrando, e todo o desejo vindo à tona de uma só vez.
Incontrolável, incomensurável; se abraçaram em um turbilhão de lembranças e sentimentos, com tanta força que parecia estarem tentando se tornar um só, e talvez esse fosse realmente o desejo dos dois naquele momento. Após os primeiros instantes de desesperado reencontro, colocaram suas cabeças em ordem e se afastaram lentamente, olhos nos olhos. Lutaram contra a tentação de se enlaçarem novamente, até que ela o pegou pela mão e foram para a sala comunal. Por uma noite conviveram pacificamente, conversaram, socializaram com os outros vampiros. Até que a manhã se aproximou e os dois se recolheram, cada um em um aposento.
Na outra noite ele foi procura-la, entrou sorridente no quarto e encontrou apenas um bilhete: “Saudades de Paris”.
“No fim das contas, você nunca muda…

 

Beijos! Itte kimasu o/

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